I Timóteo 2.1-4

Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.

CAPÍTULO 2

LIDANDO COM AS FORTALEZAS
No livro de Daniel, lemos uma passagem concernente à intercessão, que será um tremendo desafio para nossa vida de oração, se entendermos plenamente seu sentido.

DANIEL 10.23
2 Naqueles dias, eu, Daniel, estive triste por três semanas com­pletas.
3 Manjar desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas.

Esse texto deixa claro que existem diferentes formas de je­jum. Jejuar não significa sempre a total abstenção de alimentos. Daniel disse: Manjar desejável não comi.

DANIEL 10.10-13
10 E eis que uma mão me tocou e fez que me movesse sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos.
11 E me disse: Daniel, homem mui desejado, está atento às pala­vras que te vou dizer e levanta-te sobre os teus pés; porque eis que te sou enviado. E, falando ele comigo esta palavra, eu estava tremendo.
12 Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia, em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras.
13 Mas o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia.

Note, em primeiro lugar, que o anjo não foi enviado do céu até que Daniel orasse. Deus mandou a resposta no pri­meiro dia. Entretanto, ela demorou 21 dias para chegar. Às vezes, quando oramos, a resposta não chega imediatamen­te. Isso não quer dizer que Deus não ouviu ou que não en­viou a resposta. Ele respondeu, mas a resposta não chegou até nós. O versículo 13 explica que o príncipe da Pérsia opôs-se ao anjo.
A Bíblia não se está referindo aqui a um ser humano. Um anjo não é um ser físico; é um ser espiritual. Em outras palavras, havia na terra um reino físico, um príncipe persa por cabeça. Entretanto, bem acima desse lugar, nas regiões celestiais, havia um reino espiritual. Nesse reino, havia um príncipe que real­mente governava o reino da Pérsia. Ele não desejava que o anjo chegasse a Daniel com a resposta. A mensagem que o anjo trouxe a respeito de Israel, era que o reino medo-persa seria dissolvido, o Império Grego viria e finalmente surgiria o Império Romano, que governaria Jerusalém.
Quando o príncipe da Pérsia opôs-se ao anjo, Deus enviou outro anjo, e, finalmente, depois de 21 dias, o primeiro chegou a Daniel com a mensagem. Note o que o anjo disse quando apartou-se de Daniel: Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia (Dn 10.20).
O texto de Efésios 6.12 diz: Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, con­tra as potestades, contra os príncipes das trevas deste sécu­lo, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.
A Bíblia fala sobre três céus: o céu dos céus, onde está o trono de Deus, o céu nas alturas, onde estão os planetas e as estrelas e o céu atmosférico, logo acima de nós. O céu atmos­férico é aquele ao qual o texto se refere.
Nesse mundo invisível, Satanás tem autoridade. Ele gover­na. Isso deve ser óbvio para todos. Algum tempo atrás, fiquei atônito ao ler um artigo escrito por um certo colunista. Ele não afirmava ser cristão. Entretanto, também não afirmava ser ateu.
Ele dizia: “Pode ser que você me chame de agnóstico. Um agnóstico diz: ‘Se existe um Deus, eu não o conheço’. Eu não me classificaria realmente como agnóstico, porque creio que exista um Deus. Entretanto, não posso aceitar o que muitas pes­soas, até mesmo cristãs, falam sobre Deus. Tenho ouvido pre­gadores afirmarem que Deus tem o controle de todas as coisas. Entretanto, se isso é verdade, Ele realmente tem feito uma grande confusão!”
Esta era a opinião daquele colunista: se Deus está no con­trole de todas as coisas, então é o responsável por uma grande confusão.
Entretanto, foi Satanás quem estabeleceu seu reino aqui na terra, na esfera espiritual, quando Adão vendeu-se a ele. Ele estabeleceu os principados, as potestades e os príncipes das trevas com os quais agora temos de lidar. É aqui que temos de lutar quando intercedemos. Não é contra Deus que temos de lutar. Ele não está retendo nada de nós.
A Bíblia diz que não temos que lutar contra carne e sangue. Mesmo assim, ainda temos de lutar. A Bíblia não diz: Não temos que lutar e termina aqui. Não temos que lutar contra carne e sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século (Ef 6.12).
Como cristãos, temos de simplesmente ficar firmes em nos­sa posição, saber o que nos pertence e permanecer inabaláveis. Aqueles que esperam flutuar pela vida cristã em camas floridas de facilidades estão equivocados.
Fico surpreso com os cristãos que dizem: “Por que isso acon­teceu comigo?” Algumas pessoas agem como se fossem as úni­cas com as quais certas coisas acontecem. O diabo, porém, jogará todas as pedras que puder no caminho dos cristãos.
Em vez de gastar seu tempo tentando descobrir por que algo aconteceu com você, levante-se, encare o inimigo e diga: “Eu creio em Deus e creio que as coisas vão acontecer exatamen­te como a Palavra disse que aconteceria. Você não vai me do­minar!”
Por essa razão, Paulo disse à igreja de Éfeso: Não deis lu­gar ao diabo (Ef 4.27). Ele vai conquistar um lugar em sua vida se você permitir, mas você pode exercer autoridade sobre ele.
Em Ezequiel vemos mais sobre esse reino duplo - o reino natural sobre a terra e o reino espiritual:

EZEQUIEL 28.1,2
1 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor Jeová: Visto como se eleva o teu coração, e dizes: Eu sou Deus e sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares (sendo tu homem e não Deus); e estimas o teu coração como se fora o coração de Deus.

O príncipe de Tiro referido nesse texto é um homem, pois o Senhor disse: Sendo tu homem. Depois, a partir do versículo 11, lemos:

EZEQUIEL 28.11-17
11 Veio mais a mim a palavra do Senhor, dizendo:
12 Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o Senhor Jeová: Tu és o aferidor da medi­da, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.
13 Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura: a sardônia, o topázio, o diamante, a turqueza, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro; a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti; no dia em que foste criado, foram preparados.
14 Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.
15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti
16 Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim protetor, entre pedras afogueadas.
17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.

Aqui, obviamente Deus não está falando sobre um homem. Refere-se a um ser espiritual. A princípio, Ele fala sobre o prín­cipe de Tiro, dizendo-lhe: sendo tu homem.
Depois, porém, quando fala ao príncipe de Tiro, Deus diz: Estavas no Éden, jardim de Deus. O príncipe de Tiro nunca esteve no Éden; Satanás, porém, sim. Aqui, a Bíblia está se referindo a Satanás, ou Lúcifer. Ela está dizendo que o príncipe de Tiro tinha um reino terrestre, no qual governava, mas que por trás desse reino havia um outro, invisível. Satanás era quem, de fato, governava a partir de seu reino invisível. Assim, vemos referências a esse reino duplo tanto em Ezequiel como no livro de Daniel.
Em 2 Coríntios, lemos:

2 CORÍNTIOS 10.4,5
4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;
5 Destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obe­diência de Cristo.

Nessa guerra espiritual, temos armas, mas não são revólve­res e granadas. Nossas armas não são carnais, mas sim po­derosas em Deus, para destruição das fortalezas. Os poderes que se opõem a nós são fortalezas satânicas; poderes da esfera das trevas. É onde a oração entra em ação.
Fiz uma campanha de avivamento na igreja de um pastor conhecido meu, a quem amava e respeitava. Os membros da igreja eram pessoas maravilhosas, amavam o pastor e a mim e eram receptivos à Palavra. Entretanto, aquele foi o lugar mais difícil onde já preguei na vida. As palavras pareciam bater nas paredes e voltar para mim.
Com o correr do tempo, num período entre campanhas, fui convidado para pregar novamente naquela igreja. As pessoas eram as mesmas, mas havia uma grande diferença, tão grande quanto aquela entre o dia e a noite.
Depois do culto, o novo pastor perguntou se eu tinha nota­do algo diferente na igreja. “Foi mais fácil pregar hoje à noite do que da outra vez?”
Respondi: “Bem, não há nem comparação. Tudo foi mais livre e mais fácil, hoje. Antes, parecia que a igreja estava presa, amarrada - morta espiritualmente. O que aconteceu?”
“Estou aqui há alguns meses”, respondeu o pastor, “e final­mente decidi que estava cansado de ver aquele espírito morto. Determinei que iria quebrar aquilo. Comecei a jejuar e a orar especificamente por isso”.
“No sétimo dia de jejum, enquanto estava orando, tive uma visão e, diante dos meus olhos, vi o teto acima do púlpito desaparecer. Acima do forro, sentado numa das vigas, havia um espírito que se assemelhava a um macaco enorme, ou um babuíno. Deus estava me mostrando que havia um poder espi­ritual, logo acima do natural, que estava mantendo as coisas amarradas.
Falei com o espírito e ordenei que ele descesse. Ele não disse nenhuma palavra, mas eu podia perceber que ele não queria obedecer. Relutante, ele finalmente desceu. Então eu lhe disse: ‘Você não só vai descer daí de cima, como vai sair daqui’; e apontei para o corredor da igreja. Ele foi em direção à porta, e eu o segui. Deu mais alguns passos e se virou, me olhando com aquela expressão de cachorro: Vou ter mesmo de ir? Não pos­so ficar?
Quando ele parava, eu dizia: ‘Não pare, saia daqui’; e o segui até a porta da frente da igreja. Ali, ele parou novamente. Continuei ordenando que ele saísse, até que ele finalmente des­ceu a rua e desapareceu dentro de uma boate”.
Às vezes, quando lidamos com pessoas e igrejas, estamos lidando com os espíritos por trás das pessoas. Muitas vezes, durante a oração, Deus lhe mostrará como fazer isso, assim como mostrou àquele pastor. Entretanto, se não soubermos nada sobre oração espiritual, estaremos em desvantagem.
Muitas vezes, culpamos as pessoas por coisas que devem ser atribuídas ao poder por trás de toda a situação. Tentamos resolver as coisas com a pessoa. Às vezes, o pregador se le­vanta e só falta dar com a cabeça das pessoas na parede, quan­do deveria tratar com o poder que está por trás da situação.
Quem vai enfrentar essas forças malignas? Deus? Não. O texto de 2 Coríntios 10.4,5 diz que aquelas são as armas da nossa batalha e não da batalha de Deus. Nossas armas não são carnais, mas poderosas em Deus. Ele providenciou as armas para que nós possamos destruir as fortalezas.
Quando Daniel estava intercedendo por Israel, ele se prostrou para buscar a Deus. O anjo veio e lhe disse:

DANIEL 10.13,14
13 Mas o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia.
14 Agora, vim para fazer-te entender o que há de acontecer ao teu povo nos derradeiros dias; porque a visão é ainda para mui­tos dias.

O anjo trouxe a resposta. A chave, porém, era o próprio Daniel. A chave não era Deus. A chave não era o anjo. A chave não era o rei da Pérsia. A figura principal de toda a situação era Daniel. Foi ele o homem que fez as coisas acontecerem por meio da oração perseverante.